Ataque
Embora no meio de uma multidão, sentia que a solidão me sufocava e arranjava pretextos para fazer o tempo passar.
De repente, sinto que mais uma vez ia sofrer um ataque. Como sempre, convenço-me de que está tudo sob controlo. Antes que a vista se desvaneça por completo, percorro a lista telefónica e ligo àqueles que correm para me ajudar nestes momentos.
Começo a sentir-me cada vez mais descontrolada e deixo-me estar no escuro, a morder a língua para ver se ainda tenho sensibilidade…
O oxigénio fez o cérebro respirar e a medicação que me chegava às veias de diferentes partes do corpo abrandou quase instantaneamente a dor, mas fiquei a pensar que desta vez o ataque tinha sido mais forte: por momentos perdi os sentidos, ao ponto de não me conseguir lembrar dos nomes das pessoas, das coisas…
Pensei mesmo que me ia acontecer o mesmo que a ela…
