Pedincha

Pedinte

No dia em que a minha mãe me deixou, a minha infelicidade foi crescendo e a minha sabedoria acompanhou-a. A fome apertava e apercebi-me que tinha de conseguir arranjar comida. Não valia a pena pedir ajuda ao meu pai porque ele há muitos anos se sacrificara ao alcoolismo.

Como tal, decidi sair às ruas, dedicar-me à pedincha, como alguns amigos meus faziam. E até conseguiam uns trocos… 

Algumas pessoas me dão comida, outras moedas, tabaco, bebidas, bofetadas.

Os anos passam e continuo aqui, neste corpo de onze anos, sem ir à escola e a experimentar múltiplas experiências… 

Criticava, odiava, repugnava tudo o que o meu pai fazia, mas hoje até o compreendo. Chego a ser bem melhor que ele e ainda tenho tanto para aprender.

Beber alegra o espírito, fumar desperta-me a alma, roubar sustenta-me e não preciso de mais nada para saber que por pouco teria sido uma criança igual às outras.

~ por kkiara em Abril 14, 2007.

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