Ser Feliz, felicidad… no morir lentamente

•Dezembro 13, 2007 • Deixe um Comentário

Muere lentamente quien no viaja,
quien no lee,
quien no oye música,
quien no encuentra gracia en sí mismo.
Muere lentamente
quien destruye su amor propio,
quien no se deja ayudar.
Muere lentamente
quien se transforma en esclavo del hábito
repitiendo todos los días los mismos
trayectos,
quien no cambia de marca,
no se atreve a cambiar el color de su
vestimenta
o bien no conversa con quien no
conoce.
Muere lentamente
quien evita una pasión y su remolino
de emociones,
justamente estas que regresan el brillo
a los ojos y restauran los corazones
destrozados.
Muere lentamente
quien no gira el volante cuando esta infeliz
con su trabajo, o su amor,
quien no arriesga lo cierto ni lo incierto para ir
detrás de un sueño
quien no se permite, ni siquiera una vez en su vida,
huir de los consejos sensatos…
¡Vive hoy!
¡Arriesga hoy!
¡Hazlo hoy!
¡No te dejes morir lentamente!

¡NO TE IMPIDAS SER FELIZ!

 

Texto de Pablo Neruda

Arrependimento

•Abril 23, 2007 • Deixe um Comentário

Não teria começado a comer se ela não chegasse…Sentou-se ao meu lado e não disse nem uma palavra. Preferiu o silêncio e eu respeitei a sua decisão.

Sabia que ainda estava chateada, ofendida, magoada e não era fácil perdoar a minha ofensa.

Mastigava, mas a comida não tinha sabor. Esperava ansiosamente pelas suas primeiras palavras. Sabia o que me esperava, mas este dia um dia tinha de chegar. Ia explicar-lhe o que aconteceu?

Acabou de comer e já se levantava para sair quando lhe segurei na mão para a deter e disse-lhe:

– Não vás embora. Temos que conversar…

– Não disseste nada em todo o jantar. Tenho que ir.

Comecei a engendrar uma forma de lhe dizer que a tinha enganado, que lhe tinha roubado o dinheiro que me confiara porque me tinha tornado gananciosa e má. Mas porque haveria de lhe dizer o que ela já sabia. Nem podia devolver-lhe o seu dinheiro…

– Não mereço o teu perdão

– Já passaram mais de vinte anos… Soube que estavas a morrer e queria perdoar-te…

Nem lhe consegui dar um beijo. Sai daquela sala com o amargo de boca que me acompanhava nos últimos dias. Liguei à minha mãe e disse-lhe que tínhamos falado e que ela me tinha perdoado.

Sorriu. Eu segui em frente, pensando em tudo o que gostava de não ter feito. Pensando que se o médico não me tivesse declarado um “estado terminal” nem estaria a reflectir sobre o meu passado…

Solidão

•Abril 15, 2007 • 1 Comentário

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Acordo cedo como se tivesse que sair. Traço planos para um passeio e depois apercebo-me que a única companhia que me resta é a solidão.

Fecho os olhos e relembro os muitos momentos em que me considerava feliz.

Enquanto a vida não me abriu os olhos, achava que tinha muitos amigos, que todos aqueles que me sorriam gostavam de mim…

Hoje sou prisioneira da minha solidão inexplicável. Normalmente rodeada de pessoas, são poucas as que me transmitem confiança, paz de espírito e amizade verdadeira.

Os anos passaram e não fiz nada para tornar a minha velhice mais agradável. Esqueci-me que poderia ter constituído uma família. Esqueci-me que um dos muitos amantes que tive poderia ter sido um bom pai. Esqueci-me que a minha mãe envelheceria e que a família não quer perder tempo com uma idosa rabugenta…

Esqueci-me que o gosto da solidão poderia ser amargo.

Lacuna

•Abril 14, 2007 • Deixe um Comentário

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O Mundo parece que me atropelou e ainda se ri de mim. De repente, de uma hora para a outra, acordo e tudo está diferente. Aterradoramente diferente!

As linhas do meu corpo transformaram-se, há mais cabelos brancos na minha cabeça, tenho duas filhas, não conheço a mais nova, vivo noutra casa, não me lembro de construir o meu lar… Estou desempregada.

Uma lacuna muito grande. Oito, nove anos que se apagaram…

Como pode uma mãe esquecer o parto de uma filha? Será possível que olhe para amigos e novos membros da família como se de desconhecidos se tratasse? Ainda devo estar recostada na minha cama, naquela tarde fria em que não conseguia travar uma batalha digna com todas as minhas ideias…

Mas este pesadelo nunca mais acaba… Continue a ler ‘Lacuna’

Ataque

•Abril 14, 2007 • Deixe um Comentário

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Embora no meio de uma multidão, sentia que a solidão me sufocava e arranjava pretextos para fazer o tempo passar.

De repente, sinto que mais uma vez ia sofrer um ataque. Como sempre, convenço-me de que está tudo sob controlo. Antes que a vista se desvaneça por completo, percorro a lista telefónica e ligo àqueles que correm para me ajudar nestes momentos.

Começo a sentir-me cada vez mais descontrolada e deixo-me estar no escuro, a morder a língua para ver se ainda tenho sensibilidade…

O oxigénio fez o cérebro respirar e a medicação que me chegava às veias de diferentes partes do corpo abrandou quase instantaneamente a dor, mas fiquei a pensar que desta vez o ataque tinha sido mais forte: por momentos perdi os sentidos, ao ponto de não me conseguir lembrar dos nomes das pessoas, das coisas…

Pensei mesmo que me ia acontecer o mesmo que a ela…

Pedincha

•Abril 14, 2007 • Deixe um Comentário

Pedinte

No dia em que a minha mãe me deixou, a minha infelicidade foi crescendo e a minha sabedoria acompanhou-a. A fome apertava e apercebi-me que tinha de conseguir arranjar comida. Não valia a pena pedir ajuda ao meu pai porque ele há muitos anos se sacrificara ao alcoolismo.

Como tal, decidi sair às ruas, dedicar-me à pedincha, como alguns amigos meus faziam. E até conseguiam uns trocos… 

Algumas pessoas me dão comida, outras moedas, tabaco, bebidas, bofetadas.

Os anos passam e continuo aqui, neste corpo de onze anos, sem ir à escola e a experimentar múltiplas experiências… 

Criticava, odiava, repugnava tudo o que o meu pai fazia, mas hoje até o compreendo. Chego a ser bem melhor que ele e ainda tenho tanto para aprender.

Beber alegra o espírito, fumar desperta-me a alma, roubar sustenta-me e não preciso de mais nada para saber que por pouco teria sido uma criança igual às outras.

Ser/parecer II

•Abril 11, 2007 • Deixe um Comentário

Subo aquela maldita rua ainda a pensar no que poderia ter sido a minha vida se não tivesse lutado como lutei. Afinal, mesmo sem ter estudado muito, consegui muita coisa. O meu passado honra-me e o presente não me envergonha. Estou prestes a entrar na reforma e não vejo a hora de ver pelas costas todas estas pessoas que me obrigam a reproduzir sorrisos… Que seca!

Alguns minutos mais tarde…

– Sabes quem encontrei hoje? Aquela Kiara… Estava com bom aspecto, mas ouvi dizer que as coisas não lhe estão a correr muito bem. Não está a conseguir lidar muito bem com a sua nova vida. Casamento, filhos, um homem só… parece…

– Falei com ela há dias mas não me apercebi de nada. E ela também não disse. Mas o que se passou?

– Não sei. Ouvi dizer… 

Sei que isto é o suficiente para se espalhar um rumor de que ouve alguma coisa de muito mau: ou ela foi-lhe infiel, ou ele se assumiu homossexual, ou… ou… E onde há fumo…